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BRASIL DOBRA RITMO DE CRESCIMENTO EM 2020; SE O MUNDO DEIXAR...

BRASIL DOBRA RITMO DE CRESCIMENTO EM 2020; SE O MUNDO DEIXAR...

O resultado do PIB confirmou que a recuperação da economia ganhou força: o PIB cresceu 0,6% no 3º trimestre em relação ao 2º, acima do esperado pelo mercado (0,4%). É o equivalente a um ritmo anualizado de 2,4%. Os três macrossetores da economia brasileira apresentaram crescimento:, agropecuária avançou 1,3%, a indústria 0,8% e o setor de serviços 0,4%. O bom desempenho da indústria vem da construção civil que em relação a 2018 cresceu 4,4%. Isso dá esperança de elevação do emprego. Também a indústria extrativa registrou crescimento expressivo (10,3%). Um dos pontos positivos foi a elevação do investimento (formação bruta de capital fixo) que cresceu 2% em relação ao 2°º tri, enquanto o consumo das famílias cresceu 0,8%. Já os gastos governamentais recuaram em 0,4%. É importante que o crescimento venha dos investimentos para que possa ser sustentado no longo prazo. Mas a taxa de investimento ainda está baixa (16,3%), aquém daquilo que seria necessário para crescer de forma sustentada a uma taxa entre 3-4% e evitar um voo de galinha. Ainda falta muito para chegar a uma taxa compatível com o crescimento sustentado, algo em torno de 22%. Apesar das boas notícias, o cenário internacional ainda preocupa. As exportações caíram 2,8% em relação ao segundo trimestre, dado o cenário de guerra comercial e crise na Argentina, enquanto as importações subiram 2,9%. A economia brasileira está melhorando e tem tudo para melhorar ainda mais em 2020. Mas o resto do mundo tem que colaborar!

O que falta ao Pacote Guedes?

O que falta ao Pacote Guedes?

A crise global do novo coronavírus ainda está longe de ser contida, inclusive registrando as primeiras mortes no Brasil, mas os governos nacionais finalmente começam a agir de forma mais incisiva. No caso brasileiro, o pacote anunciado ontem envolvendo um valor de R$ 147 bilhões vai na direção correta, mas ainda é insuficiente. Guedes dividiu o plano de 147 bilhões em duas frentes, uma para assistir à população mais vulnerável, como os aposentados e pensionistas do INSS os beneficiários do Programa Bolsa Família e outra para ajudar a preservar os empregos e as pequenas e médias empresas, como a prorrogação do prazo de pagamento de alguns impostos. Finalmente foi definido um locus de decisão para a crise mediante um comitê de crise com amplo mandato para as questões sanitárias, econômicas, logística, segurança, entre outras. Mas o que falta? Cinco pontos... 1. Medidas que protejam mais diretamente o trabalhador informal que representa mais de 40% da força de trabalho no Brasil. 2. Uma prioridade clara em relação às reformas escolhendo uma delas como foco deste semestre; a PEC Emergencial deveria ser a reforma escolhida na medida em que aumenta a flexibilidade de gestão do Orçamento, precisamente aquilo que é necessário neste momento. As ações de estímulo a economia só serão críveis se houver uma reserva orçamentária para fazer frente às obrigações e despesas do combate a crise; isso pode envolver os mecanismos da própria PEC Emergencial ou a aprovação de crédito extraordinário ou contingenciamento abrangente. 3. A decisão de paralisar as sessões do Congresso não condiz com o estado da tecnologia e com a gravidade da crise. É surreal que ainda não tenha disso instalado um circuito virtual de decisão em pleno século XXI! 4. Maior articulação com o setor privado para contribuir na logística, abastecimento e planejamento das ações anti-crise. 5. Apoio específico aos segmentos mais afetados como companhias aéreas, indústria do entretenimento, e a cadeia do turismo em geral. Ainda falta muito para dar uma resposta à altura da crise do novo coronavírus. Mas os governos começam a se mexer na direção correta.

PNSB do IBGE ilustra o vexame do saneamento no Brasil

PNSB do IBGE ilustra o vexame do saneamento no Brasil

A pesquisa Nacional do Saneamento Básico (PNSB) divulgada pelo IBGE ilustra os enormes desafios do setor no Brasil. Dados comparados entre 1989 e 2017 mostram que houve uma expansão ainda insuficiente dos serviços com níveis vexatórios de atendimento. Lembrar que a pesquisa do IBGE capta dados de domicílios e o SNIS do Ministério de Desenvolvimento Regional usa informações das empresas e autarquias de água e esgoto. O Número de municípios com abastecimento por água 99,6% em 2017, já a rede de esgoto chega a 60,3%. As diferenças regionais são abismais. Fonte: PNSB 2017 39,7% não tem coleta de esgoto. 40% de água é perdida na entrada do sistema de distribuição até a chegada ao usuário. 9,6 milhões de domicílios ainda não têm abastecimento de água por rede. Interrupção do fornecimento de água por mais de 6 horas: 44,5% e o racionamento em 20,8%. 88,3% dos municípios possuem estações ou unidades de tratamento de esgoto. 5,5% do volume de água distribuído não recebe tratamento, 75,1% recebe tratamento convencional, 20% apenas desinfecção simples, e 4,2 não contém alguma etapa do tratamento.

Revisão de dados de comércio exterior pelo Ministério da Economia não muda avaliação da economia...

Revisão de dados de comércio exterior pelo Ministério da Economia não muda avaliação da economia...

Na semana da divulgação do PIB, o Ministério da Economia revisou os dados de exportação dos meses de outubro e setembro. Isso chegou a render matéria no jornal inglês Financial Times, suscitando dúvidas sobre a credibilidade dos dados brasileiros. Trata-se de um exagero. Não há nada nesta revisão que possa distorcer significativamente a avaliação sobre a economia. Os números podem oscilar, mas a recuperação da economia brasileira é clara. A percepção da recuperação da economia não é consequência desta revisão. Na realidade, é possível que o crescimento do PIB no 3º trimestre divulgado pelo IBGE na última terça-feira tenha sido ainda maior do que 0,6%. O índice Ibovespa ontem bateu novamente seu recorde nominal, superando a barreira dos 110 mil pontos. Os investidores também estão otimistas com o 4º trimestre. Os dados de atividade para o período apenas começaram a sair, mas a produção industrial já mostrou um sinal positivo com o maior crescimento para o mês desde 2015. Apesar da revisão diminuir o impacto, o contexto internacional continua sendo um motivo de preocupação. A crise argentina afeta principalmente a indústria de veículos. O dado da Anfavea recém divulgado mostra que as exportações do setor de janeiro a novembro caíram 33%. Já a produção total de veículos teve um melhor desempenho, mesmo com uma queda de 7,1% em novembro se comparado a outubro, o acumulado do ano mostra crescimento de 2,7%. Com ou sem revisão de dados, o Brasil está em recuperação. Mas não pode depender tanto do mercado externo para crescer. Isso só aumenta a importância das reformas internas necessárias para aumentar a competitividade da economia e sua capacidade de crescimento.

Afivele os cintos: 2020 começou

Afivele os cintos: 2020 começou

O otimismo do mercado na virada do ano foi abalado pela escalada de tensões no Oriente Médio após a morte do general Qasem Soleimani e a retaliação iraniana às bases americanas no Iraque. O mercado chacoalhou e o preço do petróleo subiu chegando a ser negociado acima dos US$ 70. Entretanto, as tensões arrefeceram com as bolsas voltando a subir e o petróleo caindo a níveis pré-ataque após o discurso de Donald Trump. O receio de um conflito abrangente afeta a economia brasileira em três aspectos. Primeiro, oscilações nos preços do petróleo e dólar causam choques inflacionários, reduzindo espaço para uma queda maior da taxa de juros. Isso, por sua vez, limita a recuperação da economia. Segundo, ocorre maior oscilação nos preços de ativos como dólar e ações. Isso é importante ter em conta em um momento em que os investidores demandam mais ativos de riscos em virtude da queda da taxa de juros. É sempre bom lembrar que ativo de risco, como ações, podem gerar mais retorno, mas como o nome sugere também tem maior risco. Terceiro, as exportações brasileiras podem sofrer com o agravamento de um conflito dessa natureza. O Irã é o 23º importador dos produtos brasileiros, incluindo itens como milho, soja e carne bovina e açúcar. Mas, por ora, volta o otimismo. Especialmente com a perspectiva de um acordo EUA-China na próxima semana. A tendência é de alta, mas prepare-se para volatilidade. Em linguagem de piloto de avião, desfrute o voo, mas afivele o cinto de segurança e uma boa viagem em 2020!

O bloco do coronavírus sai na quarta-feira de cinzas

O bloco do coronavírus sai na quarta-feira de cinzas

Depois do Carnaval, as expectativas econômicas serão formadas a partir das notícias sobre o novo coronavírus. Enquanto o Brasil curtia o feriado prolongado houve um verdadeiro terremoto na economia mundial. Isso se deveu às informações de que a doença vai aos poucos ganhando status de uma pandemia. Ou seja, de um vírus que não está mais restrito a uma região (endemia) ou mesmo que se espalha para outras localidades (epidemia), mas há indícios de que venha a atingir grandes proporções, podendo se espalhar por mais de um continente ou por todo o mundo. Era uma questão de tempo para que o novo coronavírus aportasse no Brasil. Como tudo nesse país, ele chegou depois do Carnaval. Aliado à confirmação de uma maior propagação da doença na Itália e na Coreia do Sul, a tendência de hoje do índice Ibovespa é de queda. Como medida de comparação, pode-se usar o ETF do Ibovespa negociado na bolsa de valores de Nova York. Este título despencou nos dois últimos dias, acumulando uma queda superior a 6%. Com esse clima de pessimismo, outro importante item a se avaliar é o dólar. O real já é a terceira moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar desde o início do ano, beirando o patamar de R$ 4,40. Com a incerteza, os investidores buscam ativos mais seguros, como o dólar. Em princípio, a tendência do dólar é de alta. Uma doença com efeitos ainda desconhecidos como o novo coronavírus gera insegurança e incerteza nos mercados. Não há motivo, contudo, para entrar em pânico, nem na saúde pública, nem na economia. Mas em ambas as áreas, sobram motivos para redobrar a atenção. Do ponto de vista da economia, não tome decisões precipitadas em relação aos seus investimentos e gastos. Será necessário avaliar o tamanho do estrago que o novo coronavírus vai provocar na economia mundial e no Brasil. Nossa hipótese é a de a recuperação da economia brasileira vença mais esse obstáculo.

Cinco mitos econômicos da crise do coronavírus

Cinco mitos econômicos da crise do coronavírus

1. A crise não existe; é criação da mídia convencional Falso! As administrações Trump e Bolsonaro foram por aí e quebraram a cara. Na medida em que os casos crescem em progressão geométrica surgem e a população percebe que há um problema real, cai a confiança no discurso oficial o que é péssimo para enfrentar a crise. 2. As quedas nas bolsas e oscilações são fruto da ação de especuladores. Falso. Bem-vindos sejam os especuladores! Eles ajudam a estabilizar o mercado! O problema reside na reação da maioria dos investidores diante do desconhecido. A tendência é a de uma súbita elevação da aversão ao risco que provoca desova de ativos mais arriscados em direção a ativos percebidos como de baixo risco. É curioso que o papel dos especuladores, como já ensinou Friedman há várias décadas, é no sentido de atenuar estas oscilações: compram quando está todo mundo vendendo e vendem quando a torcida do Flamengo está comprando. 3. A desvalorização do Real frente ao dólar vai acabar com a economia, elevando custos e gerando inflação. Falso! O Real desvalorizado pode dar fôlego à indústria e às exportações brasileiras ao tornar nossos produtos mais baratos e consequentemente mais competitivos. Como a inflação está baixa e a economia desaquecida o efeito sobre a inflação não é tão forte. Intervenções pontuais do Banco Central podem e devem ocorrer, mas o dólar em um patamar elevado também tem seu lado positivo e não deve ser visto como um problema. 4. É preciso que o governo elimine o teto de gasto e gaste mais para reaquecer a economia. Falso! Proposta de abandonar o teto de gastos é equivocada. Não há o mesmo remédio para todas as economias nacionais. Quem tem contas equilibradas, como alguns países maduros, pode, e deve, estimular a economia. Quem está quebrado, como é o caso do Estado brasileiro precisa continuar a acertar as contas sob pena de elevar o risco país e afugentar investidores. Em um momento de fuga para ativos de qualidade e horror ao risco no mundo inteiro é preciso garantir que o Brasil seja cada vez menos arriscado e não o contrário. Para tanto é necessário prosseguir com o ajuste fiscal e não voltar à gastança a pretexto do novo coronavírus. 5. Diante da crise do novo coronavírus, basta acelerar as reformas; é fazer mais do mesmo, com mais determinação Falso! Infelizmente equilíbrio fiscal é necessário, mas não suficiente. Situações excepcionais precisam ser tratadas com medidas excepcionais. Neste momento, é preciso mais do que nunca encontrar mecanismos adequados para estimular o investimento. A redução do risco regulatório e o permanente estímulo às parcerias público-privadas são fundamentais para aumentar o investimento privado, especialmente nos segmentos de infraestrutura. A aprovação da PEC Emergencial e várias outras medidas para conter gastos correntes do Estado são essenciais para dar flexibilidade ao orçamento e liberar algum recurso para recuperar o investimento público sem comprometer o equilíbrio fiscal. Algumas medidas emergenciais também são necessárias para auxiliar as empresas que serão prejudicadas diretamente caso o Brasil entre em “quarentena”. Como é o caso de pequenas e médias empresas de comércio e serviços.

Varejo surpreende positivamente. Crescimento de 0,9%, acima da expectativa do mercado (-0,2%)...

Varejo surpreende positivamente. Crescimento de 0,9%, acima da expectativa do mercado (-0,2%)...

O volume de vendas do varejo cresceu 0,9% em outubro comparado a setembro. Em relação a outubro do ano passado, a expansão foi de 8,3%. Em agosto o comércio havia superado seu patamar histórico. O resultado indica uma forte recuperação do comércio como mostra o Mapa de Calor da economia brasileira da GO Associados, em 2020 o volume de vendas acumulado é de 0,9%. O comércio varejista ampliado, que inclui a venda de materiais de construção e de carros, motos e peças, sofreu mais com a pandemia, com a venda de carros acumulando queda de cerca de 30% em março/abril. Este ramo ainda acumula perdas de 2,6% entre janeiro e outubro. O ritmo acelerado de recuperação do comércio não é uniforme. Alguns setores como “materiais de construção” e “móveis e eletrodomésticos” acumulam altas no ano, puxando a recuperação. Pequenas reformas nos domicílios e a necessidade de adequação ao home office ajudaram a impulsionar estes setores. Enquanto isso alguns setores como “tecidos, vestuário e calçados” se recuperam de forma mais lenta. Este setor acumula perdas de 27,6% no ano.

O maior manancial do Brasil é a nossa incompetência...

O maior manancial do Brasil é a nossa incompetência...

O maior manancial do Brasil é a nossa incompetência. As perdas de água no Brasil são tão elevadas, que se nós reduzirmos a níveis mais aceitáveis, pode haver um aumento da oferta de água sem necessidade de investimentos muito maiores. Estudo do Instituto Trata Brasil apurou que em 2018 o Brasil perdeu em média 38,5% do total de água produzida. Isto equivale a uma perda de R$12 bilhões em faturamento, valor próximo àquele investido em água e esgoto no mesmo ano. Os dados de perdas no Brasil, ficam ainda mais absurdos quando confrontados com a informação de que cerca de 12,7 milhões de pessoas nas regiões urbanas não têm acesso a água. E esses dados tornam-se dramáticos quando o Brasil passa por uma pandemia onde a recomendação sanitária mais simples é de que as pessoas devem lavar bem as mãos para se proteger. Entre 2015 e 2018 o índice de perdas passou de 36,7% para 38,5%. Existem enormes diferenças regionais: Perdas na Distribuição (IPD) nas regiões Fonte: SNIS. Elaboração: Trata Brasil e GO Associados O estado de Roraima perde 73% da água potável. O melhor estado do Brasil apresenta perda superior a países como México (24,1%), Reino Unido (20,6%) e China (20,5%) e Dinamarca (6,9%). Reduzir perdas precisa ser uma prioridade. Ganham os consumidores com impactos positivos nas contas de água, ganham as empresas que evitam prejuízos e ganha a natureza. As perdas físicas decorrem de vazamentos e redes antigas. As perdas comerciais decorrem de uma série de fatores, como subfaturamento, submedição em consequência de hidrômetros antigos, adulteração dos hidrômetros e furtos de água. Daí a importância do novo marco regulatório do saneamento, que está no Senado e que precisa ser aprovado com maior urgência. Esse novo marco tem três contribuições: i. Boa regulação, que leva a uma indução de redução de perdas; ii. Maior competição que faz com que as tratadoras de água e esgoto tenham um desempenho mais eficiente; iii. Estabelecimento de metas contratuais claras para melhoria de desempenho. Em relação à redução de perdas de água, o novo marco representa um avanço, conforme assinalado pelo estudo citado do Trata Brasil: Foi adicionado ao Artigo 2º, que trata dos princípios fundamentais serviços públicos de saneamento básico, o tópico de redução e controle das perdas de água como um dos princípios do serviço de saneamento. Criou-se o Artigo 10-A que expressa cláusulas essenciais, que deverão estar presentes em cada Contrato, determinando que esses devem conter metas de redução de perdas na distribuição de água tratada. Adicionou-se que é condição para a validade dos contratos a inclusão de metas de redução progressiva e controle de perdas na distribuição de água tratada. Devem existir metas quantitativas de redução de perdas nos contratos, todavia, não se especifica um número adequado para este quesito. O cumprimento dessas metas deverá ser verificado anualmente pela agência reguladora e, em caso do não atingimento das metas, deverá ser iniciado procedimento administrativo pela agência com o objetivo de avaliar as ações a serem adotadas, incluídas medidas sancionatórias, com eventual declaração de caducidade da concessão. Adiciona que, como aspectos essenciais das funções das entidades reguladoras, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, inclui-se a criação de diretrizes para redução progressiva e controle das perdas de água. Inclui como diretriz a ser observada pela União a redução progressiva e controle das perdas de água. A aprovação do novo marco regulatório do saneamento deveria constituir uma das prioridades neste momento.

MINUTO DE ECONOMIA

MINUTO DE ECONOMIA

Recessão técnica e menor expectativa de expansão para 2022… A GO Associados revisou de 4,9% para 4,8% a projeção de crescimento do PIB em 2021 com base nos novos resultados. A confirmação do resultado ruim do 3º trimestre e a redução no resultado do 2º reduzem o carrego estatístico para 2021 que deve ser algo próximo de 0%. Com um carregamento estatístico menor a GO Associados revisou sua projeção de crescimento para 2022, de 1,7% para 1,1%. Com o resultado, a economia volta a ficar ligeiramente abaixo do patamar pré-pandemia. Mas cerca de 3% abaixo do maior valor da série iniciada em 1995, que ocorreu no primeiro trimestre de 2014. A queda do PIB no 3º trimestre de 2021 de -0,1% em relação ao 2º trimestre de 2021 veio pior do que a projeção da GO Associados, 0,0% e do mercado, alta 0,1%. O resultado foi puxado pelo desempenho do agronegócio, que apresentou forte queda (-8%) pelo 2º trimestre consecutivo (2,9% no 2º tri). Esta queda acumulada no ano de 11,6% no PIB agropecuário tem como principal fator as geadas que afetaram principalmente a safrinha de milho e a escassez hídrica. A indústria ficou estagnada (0,0%). Este resultado pode ser explicado pela falta e pelo aumento do custo de matéria-prima que tem afetado o setor. O setor de serviços (1,1%) apresentou resultado positivo no terceiro trimestre. Entretanto, o setor que ainda está em processo de recuperação. Diante da incerteza com a variante Ômicron, o segmento pode ter outro revés ainda no 4º trimestre. O desemprenho ruim do 3º trimestre colocou a economia brasileira em recessão técnica, quando o PIB recua por dois trimestres seguidos. O IBGE também revisou a queda no 2º trimestre de 2021 de -0,1% para -0,4%. A taxa de investimento foi de 19,4% do PIB, acima do trimestre anterior (18,2%). A taxa de poupança foi de 18,6%, menor que no trimestre anterior, 20,6%. O avanço da vacinação traz a expectativa de melhora para o setor de comércio, e principalmente, serviços. Entretanto, outros problemas novos e antigos prejudicam uma retomada mais rápida da economia. Há cinco fatores de atenção: O setor agropecuário, que foi pouco afetado pela pandemia, agora sofre com os problemas climáticos, como a crise hídrica e as geadas que prejudicaram as principais culturas. A situação de escassez de chuvas obriga a utilização da bandeira vermelha nível II. Diferente de 2020, em 2021 a pressão da inflação é um sinal de alerta, retirando a margem de política monetária expansionista promovida em 2020. O boletim Focus indica que o mercado projeta a inflação de quase o dobro do teto da meta (10,15%). A situação fiscal preocupa com um rombo previsto de R$ 247 bilhões em 2021 e sem cenários de reformas estruturais. A nova variante do novo coronavírus, variante Ômicron, preocupa já que pode ser que as vacinas não sejam tão eficazes contra ela.

POPULISMO DE TRUMP CONTRA O REAL.

POPULISMO DE TRUMP CONTRA O REAL.

Em seu Twitter, Trump, acusou Brasil e Argentina de promoverem desvalorização cambial e prometeu retaliar os países elevando as tarifas de importação para o alumínio e aço brasileiro. A manifestação de Donald Trump não tem fundamento econômico, mas uma clara motivação política. Brasil e Argentina não estão voluntariamente desvalorizando suas moedas. Trata-se de um fenômeno mais geral que afeta os sistemas monetários das economias emergentes e não o resultado de uma política deliberada do Brasil da Argentina, ou de qualquer outro país individual. A Argentina, por exemplo, sofreu uma crise cambial com efeitos negativos sobre a economia, especialmente sobre o custo de vida. Donald Trump sabe disso. Mas faz alarde com uma medida protecionista para agradar o eleitorado de olho nas eleições presidenciais de novembro de 2020. Também dá um recado para o seu banco Central, o Federal Reserve (FED). Trump vem propondo uma redução dos juros, mesmo sabendo que o presidente dos EUA não fixa o custo do dinheiro. Juros menores nos EUA diminuiriam a atratividade de ativos denominados em dólares e consequentemente a demanda por dólar e seu preço em várias moedas. Neste sentido, as decisões do FED são muito mais importantes para o valor do Real ou do peso argentino do que as políticas econômicas destes países. Donald Trump também sabe disso. Mas está mais preocupado com as eleições dos EUA do que com a economia mundial. Este e outros pontos de incerteza da economia mundial podem representar um obstáculo para a retomada do crescimento brasileiro. Justo agora que a economia nacional dá sinais mais claros de recuperação.

Só uma parte do dever de casa foi feita em 2019...

Só uma parte do dever de casa foi feita em 2019...

O fim de ano é de otimismo com a economia brasileira com seguidas revisões para cima para o PIB de 2019 e 2020. A revisão no crescimento nesta última semana, a quarta consecutiva, demonstra o viés de alta nas projeções. Segundo o último Boletim Focus do ano, a expectativa é a de crescimento em 2019 de 1,17%. É pior do que se imaginava no final de 2018 (2,55%) e melhor do que em meados de 2019 (0,8%). O otimismo é ainda maior para 2020: foi a oitava semana seguida de revisão para cima, chegando a 2,3%. A expectativa de inflação para 2019 passou de 4% pela primeira vez desde junho deste ano. A inflação esperada de 4,04% é ainda menor que a meta de 4,25%, mas bem mais próxima do centro da meta que o esperado nos últimos meses. O vilão do aumento da inflação é conhecido: a carne, cujo preço subiu em virtude de uma crise de gripe suína na China. Em 2020, a conta do churrasco será mais alta. O preço deve se manter cerca de 15% maior do o habitual até o fim do ano. Além da demanda mundial em alta por causa da China, o rebanho brasileiro está com baixo número de fêmeas, o que deve diminuir a taxa de reposição dos rebanhos. A carne pode até ficar mais cara por um bom tempo, mas as perspectivas da economia brasileira para o próximo ano são boas. 2019 foi um ano positivo na medida em que foi feito parte do dever de casa para fechar o rombo das contas públicas com a reforma da previdência. Além disso, reformas anteriores como a trabalhista e a PEC do teto, e mais recentemente a Lei da Liberdade Econômica, colocaram o Brasil em uma rota promissora. Mas para retomar o crescimento de forma sustentada e baixar o desemprego de forma significativa, muito mais precisará ser feito em 2020.